A insuficiência tricúspide importante pode causar inchaço nas pernas, acúmulo de líquido na barriga e cansaço que não melhoram, mesmo com o uso de diuréticos. Para pacientes selecionados, especialmente aqueles com risco cirúrgico elevado, hoje existem tratamentos por cateter, sem abrir o tórax. A indicação é individual e definida pelo Heart Team.
Dr. Fábio Augusto Pinton · Cardiologista · CRM-SP 121448 · RQE 45378 (Cardiologia) · RQE 45378-1 (Cardiologia Intervencionista)
A valva tricúspide fica no lado direito do coração, entre o átrio direito e o ventrículo direito. Ela tem três folhetos que se fecham a cada batimento para impedir que o sangue volte.
Na insuficiência tricúspide (ou regurgitação tricúspide), a valva não fecha bem e parte do sangue volta para o átrio direito e para as veias do corpo. Com isso, a pressão nas veias aumenta e o líquido se acumula nas pernas, no abdome e em órgãos como o fígado.
Por muito tempo, a tricúspide foi chamada de “a valva esquecida”, porque a doença era subestimada e havia poucas opções de tratamento além dos diuréticos e da cirurgia, com risco elevado nesses pacientes.
O diagnóstico e a gravidade são definidos pelo ecocardiograma.
O tratamento começa com diuréticos, para reduzir o acúmulo de líquido, e com o tratamento da causa: controle da fibrilação atrial, da insuficiência cardíaca, das doenças do lado esquerdo do coração e da hipertensão pulmonar. Em muitos pacientes, isso controla os sintomas por bastante tempo.
A cirurgia da valva tricúspide (plástica ou troca) é indicada em várias situações, especialmente quando o paciente já vai operar outra valva do lado esquerdo. A cirurgia isolada da tricúspide, porém, costuma ter risco elevado, porque os pacientes muitas vezes são idosos, com o ventrículo direito, o fígado e os rins já afetados pela doença.
Para pacientes com insuficiência tricúspide importante e sintomas apesar do tratamento clínico, com risco cirúrgico elevado e anatomia adequada, o tratamento percutâneo pode ser uma opção. As principais modalidades estão descritas a seguir.
Um ou mais clipes, levados por cateter pela veia da virilha, unem as bordas dos folhetos da valva tricúspide no ponto onde ocorre o vazamento, reduzindo o refluxo. É a mesma lógica do reparo mitral borda a borda. Como a tricúspide fica no lado direito do coração, não é necessária punção do septo entre os átrios. O procedimento é feito com anestesia geral e guiado por ecocardiograma transesofágico.
Uma prótese valvar é implantada por cateter, também pela veia da virilha, dentro da valva tricúspide doente, substituindo sua função. Pode ser considerada quando a anatomia não é favorável ao reparo, por exemplo com folhetos muito afastados ou com interferência importante de cabo de marca-passo. Após o implante, normalmente é necessário anticoagulante por um período, e em parte dos pacientes pode ser preciso implantar um marca-passo.
Pacientes que já fizeram cirurgia da tricúspide com prótese biológica ou anel e que voltaram a ter disfunção da valva podem, em casos selecionados, receber uma nova prótese por cateter dentro da prótese ou do anel cirúrgico, sem nova cirurgia.
Em casos muito selecionados, existem técnicas de implante de valvas nas veias cavas, que reduzem o refluxo de sangue para o fígado e o abdome sem tratar diretamente a valva tricúspide.
A escolha da modalidade é técnica, feita pelo Heart Team conforme a anatomia, a função do coração, a presença de cabos de marca-passo e as condições clínicas de cada paciente. A disponibilidade de cada dispositivo no Brasil e a cobertura pelos planos de saúde variam.
Os estudos clínicos com o tratamento percutâneo da tricúspide mostraram, em pacientes selecionados, redução do refluxo e melhora dos sintomas e da qualidade de vida. O impacto sobre a sobrevida e as internações ainda está sendo estudado.
O momento do tratamento é importante. Quando a doença está muito avançada, com ventrículo direito muito enfraquecido ou com fígado e rins gravemente comprometidos, o benefício esperado diminui. Por isso, a avaliação não deve ser adiada quando os sintomas persistem apesar do diurético.
A indicação é feita pelo Heart Team, que reúne cardiologista clínico, cardiologista intervencionista, especialista em imagem cardiovascular e cirurgião cardiovascular, considerando:
Pacientes de outras cidades podem enviar ecocardiogramas (de preferência com as imagens), relatórios e a lista de medicações para uma consulta por telemedicina, voltada à análise da indicação.
Como todo procedimento no coração, o tratamento percutâneo da tricúspide tem riscos, que são explicados antes da decisão:
A probabilidade de cada complicação varia conforme o perfil de cada paciente. Por isso, a indicação só é feita quando o benefício esperado justifica o procedimento.
Campinas: Hospital São Luiz · Hospital Vera Cruz · Hospital Samaritano · Hospital Santa Tereza · Hospital do Coração
São Paulo: Hospital Sírio-Libanês · Hospital 9 de Julho
A cobertura do tratamento percutâneo da tricúspide por planos de saúde segue as regras da ANS e do contrato de cada paciente, e pode variar conforme a modalidade. Ao entrar em contato, a secretária verifica o seu convênio e em quais hospitais há cobertura. Com essa informação, você escolhe o hospital.
Dr. Fábio Augusto Pinton é cardiologista intervencionista.
CRM-SP 121448 · RQE 45378 (Cardiologia) · RQE 45378-1 (Cardiologia Intervencionista)
→ Conheça a formação completa · Veja também: Reparo mitral por cateter Todos os procedimentos
Depende do grau. A insuficiência tricúspide leve é muito comum e geralmente não tem importância. Na forma importante, ela pode causar inchaço, acúmulo de líquido no abdome e cansaço, e com o tempo afetar o coração, o fígado e os rins. Por isso precisa de acompanhamento e, quando há sintomas, de avaliação para tratamento.
Não no sentido tradicional. É feito por uma punção na veia da virilha, sem abrir o tórax e sem circulação extracorpórea, com anestesia geral e guiado por ecocardiograma, em hospital, com equipe de cirurgia cardiovascular disponível.
No reparo, um ou mais clipes unem as bordas dos folhetos da própria valva para reduzir o refluxo. No implante, uma prótese é colocada dentro da valva doente e passa a fazer sua função. A escolha depende da anatomia e de outros fatores, e é feita pelo Heart Team.
Em muitos casos, sim. O cabo do marca-passo pode ser a própria causa da insuficiência tricúspide ou influenciar a escolha da técnica. A avaliação é feita em conjunto com o arritmologista.
Nem sempre. O objetivo é reduzir o refluxo e a congestão, o que muitas vezes permite ajustar a dose do diurético. A decisão depende da resposta de cada paciente e é tomada pelo cardiologista. Não altere a medicação por conta própria.
Os estudos mostraram, em pacientes selecionados, melhora dos sintomas e da qualidade de vida após o tratamento percutâneo. A resposta varia de paciente para paciente e depende do estágio da doença, por isso a avaliação não deve ser adiada quando os sintomas persistem.
A internação costuma ser curta, mas varia conforme a modalidade, a recuperação e as outras doenças de cada paciente. A previsão é conversada antes do procedimento.
Sim. A consulta por telemedicina permite analisar ecocardiogramas, relatórios e medicações e orientar sobre a indicação e os próximos passos. Quando o procedimento é indicado, ele é realizado presencialmente, em um dos hospitais de atuação.
Se você ou um familiar tem insuficiência tricúspide importante, com inchaço ou cansaço que não melhoram, agende uma avaliação para avaliação individual.
Médico encaminhador: para discutir um caso, fale diretamente pelo WhatsApp.
Conteúdo informativo e educativo, que não substitui a consulta médica. Não altere medicações sem orientação do seu médico. A indicação de qualquer procedimento depende de avaliação individual. Dr. Fábio Augusto Pinton – CRM-SP 121448 – RQE 45378 (Cardiologia) – RQE 45378-1 (Cardiologia Intervencionista). Última revisão: outubro de 2026.